quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Voce tem fome de quê?




Fome de massa, fome de pizza, fome de pão, fome de churrasco, o ser humano não come para sobreviver, nem come apenas quando está com fome, ele come por desejo e por prazer. Diferente do animal que quando está com fome, qualquer tipo de alimento serve. Comer é uma necessidade biologia, mas como está associada ao prazer, muitas vezes se confunde desejo, vontade com necessidade. A quantidade de alimento ingerido em alguns casos é maior do que a necessidade biológica e em outros muito menores. Qual a função que a comida tem tido em sua vida?
A comida pode perder seu real sentido e passar a servir para outras coisas como preencher o vazio, esquecer as frustrações, tristezas, aliviar a ansiedade, o estresse e dar fim na depressão. Porque será que algumas pessoas confundem desejo com fome? Que prazer é esse que faz a pessoa comer, comer e comer, sem ter fim, sem limite. Como parar e quando parar? Parece haver um conflito, não querer comer, porém come-se em dobro em triplo. Que desejo é esse por trás de tanta comida? E quando é o contrário evita-se comer, nega-se a comida, como uma negação da própria vida. O que fazer?
Nutricionistas, dietas, endocrinologista, remédios, inibidores de apetites, cirurgias plásticas, exercícios físicos, diuréticos, laxantes, enfim esses são alguns dos caminhos tomados para quem quer emagrecer, mas será que esses são os caminhos certos?
É uma pena que muitas pessoas acabam sofrendo com tamanha exigência consigo mesmo, exigência essa culturalmente aceita aonde o ser magro é sinônimo de ser feliz, ser belo e atraente e em alguns casos o ser magro é sinônimo de não ter problemas, porque “quando eu emagrecer serei feliz, tudo dará certo”.
Isso me faz pensar em pacientes pingue pongue que passam de médico a médico, de tratamentos a tratamentos, dietas, nutricionistas e nada parece adiantar.  Talvez isso ocorra porque a primeira mudança tem que ser interna, no psiquismo, na mente, apesar da maioria das pessoas fazerem o caminho oposto, começarem pelo corpo. Às vezes o objetivo é alcançado, mas torna-se difícil manter essa mudança no corpo se a forma de pensar não condizer com esse novo corpo.
A relação que a pessoa estabelece consigo mesmo, com a comida, seja ela por excesso ou por falta e o envolvimento do paciente com o tratamento, em busca de um saber, de um conhecimento sobre sua própria história de vida, indicam que há um caminho que precisa ser trilhado para se alcançar os objetivos almejados, mas esse caminho começa de dentro para fora.

Daniela Bittencourt – Psicóloga CRP 12/07184.






sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O adoecimento do corpo


 Você já ouviu a expressão “quando a mente não pensa, o corpo paga”? Certamente que sim. No mundo psíquico isso não é muito diferente, pois quando a boca cala é o corpo quem fala, ou seja, quando não se dá a devida importância a alguns sinais de ansiedade, depressão e estresse é o corpo quem adoece, aí então aparecem às patologias ligadas ao corpo e, no corpo, as dores, enxaquecas, gastrite, sobrepeso, dermatites, enfim um corpo avisando que algo não vai bem.
Os novos sintomas ligados os corpo como os transtornos alimentares, as compulsões por exercícios físicos, por sexo, o excesso bebidas, a falta de comida, as incessantes intervenções cirúrgicas, o horror do envelhecimento, a busca patológica da saúde e todos os quadros de somatização, nos fazem pensar num corpo hipervalorizado ao mesmo tempo em que apontado como fonte de sofrimento e frustração.
Os sintomas no corpo são mais facilmente percebidos nos bebês, uma vez que eles ainda não falam, ele aparece atrelado ao corpo, como cólicas, choros freqüentes, refluxo, o que deixa muitas mães angustiadas e sem saberem o que fazer diante desse mal-estar. As doenças infantis, assim como as do adulto não são frutos apenas do corpo biológico.
Somatização é o nome dado popularmente para as doenças no corpo biológico que não possuem sua causa orgânica, mas sim psíquica. Trata-se das patologias no corpo como expressão do sofrimento psíquico.O adoecimento do corpo nos remete a relação entre o psíquico e o somático (orgânico) e a relação do sujeito com o seu próprio corpo, de cuidado ou desleixo, de falta ou excesso, de tudo ou nada.
 Não podemos acreditar que o corpo sofre apenas do que está doente nele e nem que todas as doenças físicas têm sua origem apenas no corpo biológico. A realidade orgânica não exclui a psíquica e vice-versa. O analista parece tornar-se aquele que destitui a doença do paciente de sua condição orgânica, e a análise, seria o processo que visaria descobrir sua causa psíquica.
A causa das patologias no corpo não é puramente psíquica nem puramente somática (orgânica), uma vez que estamos falando de um mesmo sujeito, o mesmo corpo, onde tudo está interligado. O fato de a psicanálise tratar doenças físicas, mesmo que sobre outro olhar, diferente do médico, não exclui de forma alguma o tratamento médico convencional, muito pelo contrário, uma complementa a outra.
Na atualidade a presença do corpo na clínica psicanalítica vai muito além das queixas somáticas. A diversidade de sintomas nos coloca em contato com pacientes que sofrem de doenças orgânicas e é o psicanalista que convida o sujeito a pensar sobre o que lhe acontece, porque é através da fala que o analista pode atuar.
O fato de a psicanálise fazer da linguagem o seu material privilegiado de trabalho, não exclui o corpo da sua escuta, pelo contrário, ele está no centro da construção teórica Freudiana, uma vez que Freud afirmou que o “eu” é antes de tudo corporal, isso significa que o “eu” vai ser construído a partir do corpo.
 Partindo da descoberta que a fala afeta o corpo podemos perguntar que corpo é esse que pode ser acolhido pelo psicanalista na sua escuta? Concerteza não é do corpo biológico que se trata, mas sim do corpo pulsional, um corpo que procura ativamente a satisfação, uma energia psíquica que busca o tempo todo pela realização de um desejo inconsciente e infantil.

Daniela Bittencourt – Psicóloga CRP 12/07184