A Psicanálise surgiu a partir da clínica do feminino, foi com suas pacientes histéricas que Sigmund Freud começou a desenvolver a toda sua teoria, foi ouvindo suas inquietações, queixas, angustias e seus sintomas. O que afinal, quer uma mulher é uma questão que o levou a teorizar sobre o desejo feminino.
Freud estava metido com as inquietações da alma feminina, e se indagava se existia algo que pudesse satisfazer o desejo feminino, algo que a fizesse feliz por completo e acabasse com a sua demanda de amor infinito. Até hoje não se sabe ao certo o que busca uma mulher, mas admitimos por ora que ela busca por intermédio do amor.
A sexualidade no homem não se reduz a sua anatomia, ou seja, não se nasce homem ou mulher, o que vai definir a sexualidade, independente do órgão sexual, são as primeiras experiências infantis, porque ali se constroem o desejo. A sexualidade é uma construção e se dá na infância, os primeiros anos de vida definem a personalidade, a sexualidade e a escolha de objeto amoroso.
Com isso Freud subverte todo o conhecimento que se tinha até então sobre a sexualidade, no momento que descobre que a mesma é construída nos primeiros anos de vida. Para o Pai da Psicanálise os problemas sexuais nos adultos têm sua origem na infância e não se pode negligenciar esse período tão importante quando falamos em tratamentos desses sintomas. É somente na puberdade que se pode falar em uma separação nítida entre a sexualidade masculina e a feminina.
Os homens também se perguntam sobre os mistérios da feminilidade e tentam entender e desvendar esse segredo, que diz respeito à mesma pergunta que Freud se fez há anos atrás: como acabar com a demanda infinita de uma mulher, que quer sempre mais e nunca está satisfeita? Como silenciar a alma feminina, cheia de desejos?
Essa não é uma tarefa fácil, mas Freud nos deixou como resposta que as mulheres têm que ser tomadas uma a uma, isso porque cada mulher é única e que antes de tentar entender o enigma da feminilidade é preciso olhar para trás, para o passado, para a infância, para o inconsciente, se não for assim o compreender a alma feminina torna-se uma tarefa quase impossível.
Daniela Bittencourt - Psicóloga CRP 12/07184
Um blog que pretende discutir a Psicanálise e tornar a sua prática mais difundida, bem como diferenciá-la da Psicoterapia. Voltado para pessoas interessadas no assunto, servirá para esclarecer alguns pontos da teoria e sua relação com a prática clínica.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Felicidade a pronta - entrega
Será que podemos comprar a felicidade? Ligue e compre que entregamos em sua casa, ou se preferir compre pela internet sem sair de casa. Será que tudo na vida tem um preço e pode ser comprado? O capitalismo nos diz que sim e nos oferece vários objetos para que deles se possa gozar, ele cria uma demanda de compras como uma necessidade e incentiva o consumismo de comprar mais e mais. A felicidade para muitas pessoas está associada ao ter objetos de consumo, muitas vezes o prazer aparece apenas na hora da compra podendo levar depois a um arrependimento, ou muitas vezes a pessoa nem chega a usufruir o que comprou.
Para a Psicanálise o homem é sujeito da falta, logo se algo falta cria-se um desejo. Para preencher essa falta procura-se um objeto externo na tentativa de se fazer completo. Por objeto podemos entender qualquer coisa que ofereça ao sujeito uma satisfação e um prazer.
A quantidade de ofertas sedutoras de objetos que prometem tamponar o furo, o vazio, e dar a ilusão de completude, de um gozo intenso e imediato é o que mais existe na sociedade moderna. Mas será que existe um objeto capaz de trazer a felicidade? Ofertas é o que não faltam, mas a felicidade está associada ao comprar? Ou dito de outro modo o sentido da vida é consumir?
Dessa forma cria-se uma demanda infinita, mais e mais, pelas infinidades de objetos que existem. Quando a pessoa consegue o que tanto queria ela passa a desejar outra coisa e essa dinâmica se repete diversas vezes, porque a própria definição de desejo para psicanálise é sempre desejo de outra coisa, é movimento, porque o homem nunca vai deixar de desejar. De certa forma é um não quer saber da sua própria dor, própria falta, não quer se deparar com o vazio, a solidão, mas sabemos que a angústia é um afeto que não se pode fugir, nem por meio das compras, uma vez que o prazer obtido no ato da compra é tão passageiro.
Compra consciente será que isso é possível? Para isso seria necessário levar em consideração apenas o que é necessidade, o indispensável para viver, mas sabemos que o ser humano é feito de desejos, vontades e pulsões e que ele não consome por necessidade, mas por prazer. Isso é o que o diferencia do animal, que age apenas por necessidade. O desejo também não vem do nada, estão associadas às fantasias inconscientes infantis, aquelas construídas na infância e que foram reprimidas no inconsciente, mas que de certa forma determina o comportamento do adulto, na medida em que é na infância que se construí a personalidade.
Mas como saber diferenciar uma compra por prazer de uma compulsão por compras? Até aonde isso é benéfico e aonde se torna prejudicial? Constatar se há ou não uma compulsão é até digamos uma tarefa fácil, o mais difícil é cessar com esse comportamento prejudicial à pessoa e acabar com esse círculo vicioso, mas para isso é preciso analisar primeiro as causas inconscientes que levam ao consumismo, quais as fantasias infantis envolvidas e qual prazer inconsciente está por trás desse funcionamento, tudo isso devido à maioria das pessoas não saberem o porquê consomem tanto, só sabem dizer que isso as fazem feliz, que gostam de comprar, mas podemos dizer que isso não é tudo, que há bem mais coisas inconscientes que mantêm essa demanda infinita de mais e mais.
Daniela Bittencourt – Psicóloga - CRP 12/07184.
Para a Psicanálise o homem é sujeito da falta, logo se algo falta cria-se um desejo. Para preencher essa falta procura-se um objeto externo na tentativa de se fazer completo. Por objeto podemos entender qualquer coisa que ofereça ao sujeito uma satisfação e um prazer.
A quantidade de ofertas sedutoras de objetos que prometem tamponar o furo, o vazio, e dar a ilusão de completude, de um gozo intenso e imediato é o que mais existe na sociedade moderna. Mas será que existe um objeto capaz de trazer a felicidade? Ofertas é o que não faltam, mas a felicidade está associada ao comprar? Ou dito de outro modo o sentido da vida é consumir?
Dessa forma cria-se uma demanda infinita, mais e mais, pelas infinidades de objetos que existem. Quando a pessoa consegue o que tanto queria ela passa a desejar outra coisa e essa dinâmica se repete diversas vezes, porque a própria definição de desejo para psicanálise é sempre desejo de outra coisa, é movimento, porque o homem nunca vai deixar de desejar. De certa forma é um não quer saber da sua própria dor, própria falta, não quer se deparar com o vazio, a solidão, mas sabemos que a angústia é um afeto que não se pode fugir, nem por meio das compras, uma vez que o prazer obtido no ato da compra é tão passageiro.
Compra consciente será que isso é possível? Para isso seria necessário levar em consideração apenas o que é necessidade, o indispensável para viver, mas sabemos que o ser humano é feito de desejos, vontades e pulsões e que ele não consome por necessidade, mas por prazer. Isso é o que o diferencia do animal, que age apenas por necessidade. O desejo também não vem do nada, estão associadas às fantasias inconscientes infantis, aquelas construídas na infância e que foram reprimidas no inconsciente, mas que de certa forma determina o comportamento do adulto, na medida em que é na infância que se construí a personalidade.
Mas como saber diferenciar uma compra por prazer de uma compulsão por compras? Até aonde isso é benéfico e aonde se torna prejudicial? Constatar se há ou não uma compulsão é até digamos uma tarefa fácil, o mais difícil é cessar com esse comportamento prejudicial à pessoa e acabar com esse círculo vicioso, mas para isso é preciso analisar primeiro as causas inconscientes que levam ao consumismo, quais as fantasias infantis envolvidas e qual prazer inconsciente está por trás desse funcionamento, tudo isso devido à maioria das pessoas não saberem o porquê consomem tanto, só sabem dizer que isso as fazem feliz, que gostam de comprar, mas podemos dizer que isso não é tudo, que há bem mais coisas inconscientes que mantêm essa demanda infinita de mais e mais.
Daniela Bittencourt – Psicóloga - CRP 12/07184.
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